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Amores mal vividos

11/09/2008

“Maria Rita me fez pensar nesse tais Amores Mal Vividos (AMV).

Doença. Os sintomas são facilmente detectáveis: Tensão ao encontrar a pessoa, dúvida de se poderia dar certo,aquela sensação de ainda gostar do outro, tristeza ao vê-lo, dor de cotovelo, impossibilidade de tornar-se amigo e a pior de todas, impressão de que ninguém é melhor que o ex, nem o atual romance.

Não há nada mais deprimente e incomodante do que ter um AMV na bagagem. Aliás, tudo o que fica mal resolvido vira uma pedra no sapato. E pedras no sapato, por mais que tentemos ignorá-las, estão lá, ferindo nossos dedos, provocando nossos calos, apertando no andar. Quando a gente não termina direito o que começou, ou passa por cima de coisas, elas vão se acumulando e acabam virando um câncer.

Um amor, quando chega ao final – e sempre chega, os românticos que me desculpem – deve ser exorcizado! Precisamos de espaço pra viver coisas novas. Precisamos estar abertos, sem traumas para que novas possibilidades possam chegar livremente. Mas quem tem amor mal vivido faz de seu passado um sofá, e não um trampolim. Acomoda-se, senta e não consegue mudar de canal. A receita para prevenir o AMV é muito simples, mas quase ninguém segue a risca a prescrição: AMAR PRA CARALHO.

Desculpem-me, mas é isso. O que torna o amor mal vivido é, como diz o Jabor, em uma de suas crônicas, o nosso medo de `gastar` o amor. Enchemo-nos de dedos, de medos, de restrições, orgulhos e doces, tanto que, quando o romance chaga ao fim, o pouco que nos sobra é arrepender-nos de não ter feito ou vivido tanta coisa.

Quando você encontrar alguém e gostar, quando a recíproca parecer verdadeira, não pense duas vezes em gastar o amor. Dê o primeiro passo, sem medo, viva tudo. Fuja no meio do expediente pra dar um beijo, ligue no meio da madrugada pra dizer que está com saudade. Não hesite em senti-la também. Se tiver medo, que tenha, mas fale pra ela – não tem coisa melhor paro o outro do que saber que não é o único a sentir isso. Diga que a ama, sem medo, mesmo que você não saiba distinguir se é amor, paixão, desejo, fissura, diga, diga `eu te amo`. Não se escravize pelo medo de ser mal-interpretado. Beije muito, o máximo que puder. Abrace mais ainda, sussurre as coisas que lhe vierem na cabeça ao pé do ouvido dela. Conversem sobre o primeiro beijo, sobre os encontros, reviva tudo, todo o início, para fazer aquelas deliciosas comparações das duas interpretações, aquelas que os casais adoram fazer. Sempre, sempre vai ter algo novo a se descobrir.

Permita-se estar apaixonado e assuma isso. Viva a delícia de poder estar com alguém, feliz, em paz, empolgado, despretensiosamente, sem pensar se dará certo ou não. Viaje, deite junto, faça cafuné, convide-a pra programas bestas, abra o coração, fale sempre o que sente. Procure uma música que a faça lembrar de vocês, aproveite o cheiro dela. Troque confidências e mostre que isso se chama confiança. Não minta, não minta. Você não precisa disso, encontre nessa pessoa um cúmplice, alguém que seja capaz de dividir coisas que nenhum amigo e nem mesmo nossos pais poderão entender. Cumplicidade é uma das melhores coisas de um namoro. Não deixe nunca ela acabar.

Seja intenso. Esqueça que existe amanhã e entregue tudo o que tiver no seu coração logo. Faça com que o outro também se sinta a vontade pra fazer isso. Façam coisas juntos. Dividam, multipliquem. Ame, ame, ame, cometa loucuras por esse amor. Não há mal nenhum nisso. Amar não deve significar sofrer. Nunca se acostume com o outro, aprenda que ele é um indivíduo que, por mais que seja parecido com você em muitos aspectos, é único, diferente. Não o faça ser como você nunca. Afinal, você se apaixonou por ele daquele jeito. Deixe-o ser o que quiser, assim você sempre terá com o que surpreender. Valorize essa pessoa, por mais que a intimidade insista em tentar quebrar o encanto. Entenda que ele só se quebra se desaprendermos a admirar o outro. Admire-o sempre! Incentive-o a crescer. Deixe-o livre, assim você o terá cada vez mais perto. Às vezes demoramos a aprender isso, mas um dia descobrimos o quão importante é amar sem escravizar. E finalmente, ame, ame, ame, ame exacerbadamente.

Gaste o amor! Para que, quando ele acabar, não haja dúvidas de que se viveu tudo o que pôde, de que não foram poupados esforços e isso nos fez feliz sim, muito! Para que quando ele morrer, o amor, possa descansar em paz. E se for para terminar mesmo, que pelo menos tenhamos aproveitado bastante.

Se as pessoas se despissem do orgulho e abrissem o coração sem medo de se machucar, não existiriam Marias Ritas escrevendo versos como aqueles. Amores seriam sempre possíveis! Não haveria amantes mal-amados, amores mal-vividos, casais incompletos, homens frustrados, mulheres defensivas, traumas e dor de cotovelo. Não esqueça, o amor existe para ser vivido. E eu não quero mais deixar de vivê-lo.”caminho

Luly Mendonça

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2 comentários

  1. realmente temos que deixar o orgulho de lado e procurar ser verdadeiro ao maximo em nossos sentimentos.


  2. […] recentemente um comentário sobre um texto antigo que postei aqui sobre amores mal vividos e acabei relendo o dito cujo pra me lembrar do que eu tinha postado e a […]



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