h1

Patrícia Pillar nunca pensou que Flora seria “tão perversa”

20/12/2008

patricia-pillar

Quem assiste à “A Favorita”, percebe que, para Flora, personagem de Patrícia Pillar, a maldade é um doce deleite. A loura de traços angelicais, que poderia figurar até entre os vilões de um filme de terror, arquiteta com requintes de crueldade seus planos maquiavélicos. A atuação da atriz de 44 anos conquistou o público e a crítica e se tornou o maior papel de seus 24 anos de carreira. “É bom quando os autores e diretores olham para você de uma maneira inesperada, não óbvia. Sou muito grata. A Flora me apresenta um caminho novo, que me fez renovar, um estímulo de ir por um lado que eu nunca fui”, avalia ela, escolhida Melhor Atriz do ano pela eleição “Melhores de PopTevê 2008”.

Isso porque Patrícia coleciona mocinhas românticas e personagens de época em sua trajetória profissional. Outro papel em que ela fugiu do “óbvio” e surpreendeu foi a sem-teto Luana de “O Rei do Gado”, em 1996. Entusiasta da profissão, a atriz confessa que é justamente essa multiplicidade de tipos e a chance de “brincar” que a motivam. “O melhor da profissão é uma liberdade consentida de uma certa loucura, uma liberdade quase de criança, de brincar de ser outras pessoas”, pontua.

Assim que Flora tiver aprontado suas últimas vilanias e novela terminar, em janeiro, Patrícia Pillar já engata novos projetos. Ela vai preparar o lançamento do documentário “Waldick, Sempre no Meu Coração”, sua estréia como diretora de cinema. O filme, baseado na vida do cantor e compositor Waldick Soriano, deve estrear entre março e abril de 2009. “Não pude fazer o lançamento este ano por causa da novela, mas o filme se apresentou em festivais e ganhamos alguns prêmios”, conta, empolgada.

A Flora já é considerada uma das maiores vilãs da teledramaturgia nacional. Como lida com tamanha repercussão?

Quando recebi o convite, nunca pensei que ela fosse ser tão perversa, tão má e tão complexa. Na verdade, a Flora tenta substituir um vazio existencial profundo, um complexo de inferioridade e um sentimento de rejeição, o que resultou em uma extrema falta de amor. Tudo isso ela transformou em ódio e em uma gana desenfreada pelo poder como forma de aplacar este vazio.

Você já declarou que, apesar da Flora ser má, as pessoas te tratam muito bem nas ruas. A que atribui isso? Acredita que isso se deva, em parte, às várias personagens “do bem” que já viveu na carreira?

Acho que o público brasileiro está maduro e já separa a personagem de ficção do ator que a interpreta, mas é claro que existem as exceções.
De qualquer maneira, a Flora não tem freio, limite ou conveniência. Não há perdão para ela.

No fundo todos têm um pitadinha de maldade, mas isso acaba reprimido pela vida social. O público se identifica também com o humor, que surge da falta de pudor dela, ao chamar a filha de purgante ou se referir a Gonçalo como um velho babão. De alguma maneira, traz um pouco de leveza para um universo tão pesado.

Com tantos papéis importantes e distintos, como avalia sua trajetória? Sente-se realizada?
Tive a sorte de trabalhar com pessoas que eu admiro e que me ensinaram muita coisa. Falo de autores, diretores e atores com quem contracenei e tive o privilégio de conviver às vezes um ano inteiro. Olho para trás e vejo o quanto aprendi e como me orgulho de ter compartilhado alguns momentos com essas pessoas no teatro, no cinema e na televisão.

Consegui realizar alguns outros desejos, como produzir o livro do Ciro (o político Ciro Gomes, com quem vive há nove anos), “Um Desafio Chamado Brasil”, e um CD da cantora Eveline Hecker cantando músicas do compositor Zé Miguel Wisnik. Também dirigi o show, o DVD e um documentário sobre o grande cantor popular Waldick Soriano. Tive a sorte de encontrá-lo e fazer meu primeiro filme tendo ele como personagem. Mas me sentir realizada mesmo, nunca!

Com quais maldades de Flora você mais se surpreendeu até agora?

Com a morte do Gonçalo. Por essa eu não esperava…

Qual o fim que você imagina para ela?

Não consigo imaginar um fim à altura das maldades da Flora. Acho que o João Emanuel sempre foi criativo e deve me surpreender, mais uma vez, no final.

Fonte: PopTevê – UOL Televisão

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: