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O amor muitas vezes nos desafia a mudar, mas isso em geral não é fácil

20/01/2009

Relações afetivas não são zonas de conforto. Muitas vezes produzem conflitos e nos requisitam mudanças em nossa maneira de ser, o que exige autoconhecimento, autocrítica e também muita disciplina. O esforço, no entanto, quase sempre vale a pena, pois ao empreendê-lo evoluímos. Sem falar que desafiar-nos a mudar é a maior prova de amor que podemos dar para alguém.

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Você é do tipo que nesta época se propõe mudanças para o ano que se inicia? Quantas vezes já quis parar de fumar? E emagrecer? Começar um curso? Separar-se? Você sabia o que e como deveria fazer, não é mesmo? Mas, apesar disso, não conseguiu. É, mudar não é fácil. Por quê? Acompanhe meu raciocínio: suponha que deseje vir até onde estou. Você me liga e pergunta: “Qual é o melhor caminho?” Antes de responder, eu deveria perguntar: “Onde você está?” Sem saber o seu ponto de partida, eu poderia dar um caminho incorreto.

Quer dizer, para mudar é preciso saber não só o ponto de chegada e o caminho, mas, sobretudo, o ponto de partida. Por isso é difícil. Quando alguém decide parar de fumar, por exemplo, qual é o caminho mais simples para ter sucesso? Parar de comprar cigarros, deixar de pedi-los, de aceitá-los e, enfim, não fumar.

Mas, se a pessoa não se conhece, isto é, se ignora seu ponto de partida, se não percebe que lhe falta auto-estima, consistência e disciplina, provavelmente não vai atingir o objetivo. Nesse caso, o caminho mais simples não é o melhor. Essa pessoa vai precisar de ajuda, de gente que exerça sobre ela um controle que ela mesma não consegue exercer. Em resumo, a maioria das pessoas pensa que se conhece e, por isso, se propõe mudanças que estão além de suas possibilidades de sucesso.

Quando o caminho escolhido não resulta na mudança desejada, é porque falta autoconhecimento. Ignoramos nossos recursos ou não percebemos quais seriam necessários porque nossa percepção é falha. E, sem conhecer nosso ponto de partida, os caminhos escolhidos são autossabotagens. Nesse caso, não somos livres, pois nossas escolhas são determinadas por modelos mentais velhos e conflitos inconscientes.

As mudanças mais importantes de nossa vida são as que necessitam de altas doses de autocontrole, autocrítica, coerência e amor-próprio. Atributos que se desenvolvem a partir da reflexão sobre si. E nem todas as mudanças são fruto de nossa escolha, há aquelas que a vida nos propõe quando nos coloca em situações inesperadas.

É o caso das relações afetivas. Claro que escolhemos a pessoa com quem queremos nos relacionar. Mas cada ser humano é único e se revela ao longo da união, por isso não devemos evitar os imprevistos das relações. Se desejamos nos entregar, precisamos correr riscos! Se alguém tem como ponto de partida o desejo de ser feliz e escolhe como caminho viver uma relação afetiva, então o caminho escolhido está errado. Para a maioria das pessoas felicidade é sinônimo de zona de conforto, sem conflitos, sem pressões, sem deveres. Essa felicidade só se obtém a partir da solidão, do egoísmo, da não entrega. O amor não permite isso. Não me refiro ao amor idealizado, romântico, mas àquele que desafia a frase “Você me conheceu assim”. Que impõe conflitos, pois nos coloca em comparação ao que o ser amado tem de melhor e nos desafia a ser tão bons quanto ele para merecê-lo! Relações afetivas são para quem se conhece a ponto de topar ser o construtor de si mesmo, sem monitorias e controles externos.

Para quem tem esse ponto de partida, os conflitos gerados nas relações afetivas são bem-vindos e indicam o caminho correto para evoluir. A única prova de amor verdadeira é esta: desafiar-se a mudar pelo amor ao outro.

rosa

* Rosa Avello é psicoterapeuta e psicodramatista com especialização em Psicodinâmica aplicada nos negócios pelo GD, em sexualidade humana pelo Instituto Sedes Sapientiae e credenciada pelo Instituto Felipelli na aplicação do MBTI. Atua na capital paulista. E-mail: rosavello@uol.com.br

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conchinhaPercebi que era feliz com vc, mas não completamente, e pra isso eu teria que mudar muito.

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One comment

  1. Perfeito. “Percebi que era feliz com vc, mas não completamente, e pra isso eu teria que mudar muito”. Acho que respostas para nossos maiores questionamentos são muito simples, como a que vc me deu agora: não havia amor verdadeiro.



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