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O dia em que Aline nasceu

24/02/2009

familia

Quando um bebê passa a fazer parte da vida do casal? Para a mãe é na concepção e, para o pai, no nascimento. De Paris, o fotógrafo RODRIGO PATRIANOVA, conta essa história.

“ Paris, 18 de novembro de 2008, pela manhã. Eu e minha esposa, Ci, ansiávamos pelo que aconteceriadentro de algumas horas: achegada de nosso primeiro filho. Malentramos no hospital e ela foi encaminhadapara fazer os preparativosda cirurgia. Dava quase para mordero coração. Sondas foram colocadas:uma para a mãe e outra para o bebê.

Às 11h30, hora oficial da cesariana, somos informados de que outra mãe, que há várias horas tentava ter seu filho naturalmente, seria submetida a uma cesariana de urgência, ocupando assim nosso lugar na sala de cirurgia. 12h45, a porta do quarto é aberta e uma enfermeira nos informa que é chegado o momento. Sendo uma cesariana, eu não poderia assistir. Beijo a Ci, desejo boa sorte e digo coisas como “que Deus te abençoe, boa hora” e tudo de bom que a gente deseja nesses momentos. Ela, já vestida para a operação, me abraça, me beija e pela última vez, somos dois.

Saio do bloco operatório. Dentro da sala de espera, encontro minha sogra, tão ansiosa e agoniada quanto eu. A troca de palavras é mínima. Angústia, apreensão, unhas roídas até o talo, garganta seca, mãos molhadas, um buraco criado no chão de tanto vai-e-vem. Tudo coopera para criar a sensação de ansiedade, jamais vivida com tanta intensidade. Cinquenta intermináveis minutos se passam e alguém abre a porta da sala onde estávamos. Uma enfermeira olha pra mim e pergunta: “Monsieur, êtes vous le père de l’enfant?” (O senhor é o pai da criança?). Respondo que sim.

Entro, então, na ala de operações, todo atrapalhado, e visto a roupa necessária. O corredor, que antes tinha 50 m, parece ter 50 km. Na sala, com o coração palpitando, procuro desesperado, quando vejo, em cima de uma mesinha, recebendo os últimos (ou os primeiros) cuidados… ela, a coisa mais linda que eu já vi!

Pego, pela primeira vez na vida, minha filha nos braços. Os enfermeiros, educamente, saem da sala e nos deixam sozinhos. É ela, é tudo, é alucinante, é a conclusão de nosso projeto mais lindo, é sangue do meu sangue, é parte de mim, é o presente maior que Deus pode nos dar, é a prova concreta e viva do amor que eu e a Ci temos um pelo outro.

Choro! Olho para ela e choro mais, mais e mais. Um choro de felicidade, de “ufa”, de “deu tudo certo”, de “que linda!”, de “minha filha!”, de “obrigado!”. Os últimos detalhes da cirurgia terminam. Posso, enfim, ver a Ci trazendo nossa filha nos braços. Entro na sala de cirurgia: somos três pela primeira vez na vida e, daqui para a frente, para sempre. Choramos os dois. A felicidade é indescritível! Naquela tarde cinzenta parisiense, precisamente às 13h35, nasceu Aline Felizola Patrianova para mudar maravilhosamente a história de nossa vida.”

Fonte: Revista Bons Fluidos Fevereiro/2009

Alice também quer uma família assim. Será que ela vai conseguir?

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One comment

  1. Também amei quando vi esse texto na revista, Yu.
    🙂



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