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A morte

04/04/2010

A sensação que eu tenho é de que eu vou levar dessa vida apenas livros não escritos, páginas em branco, palavras não ditas, rabiscos não feitos…
É como se o meu maior talento fosse a incapacidade. Até maior do que todos os outros.
Saber fazer tudo e não fazer nada. Olhar o mundo e as pessoas por inteiro e não conseguir conviver com elas. É a pretensão da perfeição. Sim, e como eu sou pretensiosa. Quero o perfeito num mundo de imperfeitos. E acho que não mereço nada menos que a perfeição.
A sensação que eu tenho é do incompleto sempre. O filho que eu não vou ter, o trabalho que eu não vou concretizar, a família que eu não vou construir. É como se eu tivesse nascido exatamente para isso. Nascido para o “incompleto”, nascido para o “não terminado” e, a única coisa que eu vou conseguir concluir na vida é ela própria no dia da minha morte.
E todos que passam por mim são parte dessa confirmação. A confirmação de que, nada vou levar dessa vida além de eu mesma.

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